99 episódios
- **Este episódio tem o apoio e a colaboração do Instituto Clima e Sociedade**
O progresso humano dos últimos dois séculos — todo o desenvolvimento ocorrido desde a Revolução Industrial — se deu em um período de relativa estabilidade climática. Mas, agora que eventos extremos mais frequentes destroem infraestruturas e prejudicam a produção, a variável "clima" precisa ocupar um papel mais central nos modelos econômicos.
A entrevistada deste episódio está engajada exatamente nesse processo de construção de uma nova relação entre clima e economia.
Annelise Vendramini é professora e pesquisadora em finanças sustentáveis na FGV e membro do conselho do Hub de Economia e Clima, liderado pelo Instituto Clima e Sociedade.
Na conversa, falamos sobre o preço da falta de ação climática — ou seja, o custo de não fazer nada, especialmente para um país de renda média como o Brasil — e também sobre os entraves para atrair investimentos necessários à transformação da economia.
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Reduzir emissões de gases de efeito estufa é um imperativo. Mas outro desafio, igualmente urgente, é adaptar o país aos impactos das mudanças climáticas que já estão ocorrendo — e que devem se intensificar nos próximos anos.
E, embora todos sejam afetados pelas mudanças climáticas, esse impacto não é igual para todo mundo. Primeiro, porque há regiões naturalmente mais expostas a fenômenos como enchentes, secas e calor extremo. E, depois, porque as condições de vida das populações também são determinantes. Quanto pior a infraestrutura e mais frágeis os serviços públicos e as redes de apoio, maior a vulnerabilidade.
A adaptação climática é, sem dúvida, uma tarefa para o Brasil inteiro. Mas, neste episódio, nós focamos no Norte e no Nordeste. Essas duas regiões devem ter um papel central na ação climática do país — seja por meio da preservação e restauração de florestas, seja com a geração de energia renovável ou com a exploração de minerais críticos. Ao mesmo tempo, são também as regiões com menor renda média e alguns dos piores indicadores de infraestrutura do Brasil.
O entrevistado é Diosmar Filho, geógrafo e coordenador do Laboratório de Estudos Territoriais, Desigualdades e Mudanças Climáticas da Associação de Pesquisa Iyaleta. Nesta conversa, ele apresenta dois argumentos principais. O primeiro é que não há como aumentar a resiliência climática sem enfrentar a pobreza. O segundo é que adaptação não é assistencialismo, mas como uma oportunidade real de desenvolvimento.
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A agricultura pujante, que representa metade das exportações do Brasil, não foi sempre assim. O agronegócio foi desenvolvido ao longo de décadas, com a adaptação de sementes e de técnicas tradicionais para as condições brasileiras.
Agora, diante das mudanças climáticas, a agricultura e a pecuária precisam passar por uma nova transformação: não apenas para se tornarem mais resilientes a períodos de seca ou de chuvas intensas, mas também para reduzir seu impacto nas emissões de gases de efeito estufa. Tudo isso em um momento em que a demanda global por alimentos continua crescendo.
Os entrevistados deste episódio acreditam que o Brasil tem condições de produzir mais e emitir menos. Fernando Sampaio é secretário-executivo da Rede de Inteligência em Agricultura e Clima, a RIAC, que tem o apoio do Instituto Clima e Sociedade. Ele também é membro da Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura e foi diretor de sustentabilidade da ABIEC, a associação brasileira dos exportadores de carne. Rodrigo Lima é sócio-diretor da Agroicone e membro da RIAC.
Nesta conversa, eles falam sobre o potencial da agricultura tropical, os desafios para transformar essa promessa em realidade e o comércio internacional de commodities agrícolas — um ambiente em que o clima tem desempenhado um papel cada vez mais central.
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A gente já sabia que as nossas fontes de energia precisam mudar. A transição energética já estava em curso. Mas o que era urgente, agora ficou urgentíssimo.
A guerra no Irã expôs a fragilidade de um modelo econômico baseado em combustíveis fósseis — recursos concentrados em poucas regiões do mundo e distribuídos por cadeias longas e vulneráveis.
E agora a gente viu: o estrangulamento no Estreito de Ormuz, no Oriente Médio, pressionou a inflação e desacelerou economias ao redor do planeta. Esse tipo de choque tem o potencial de reverberar por décadas — e o meu entrevistado explica como.
Jorge Arbache é professor de economia da Universidade de Brasília e senior fellow do Instituto Clima e Sociedade. Ele já passou pelo BNDES e pelo Ministério do Planejamento, e também foi economista sênior do Banco Mundial e vice-presidente do Banco de Desenvolvimento da América Latina e Caribe.
Nesta conversa, Jorge explica as mudanças estruturais que estão em curso e a oportunidade histórica do Brasil: ao oferecer energia limpa para o mundo, o país pode se tornar protagonista de um novo modelo de desenvolvimento econômico.
Para entrar em contato, escreva para: podcast@economiadofuturo.com - Eu sei: o noticiário anda pesado. Guerras, escândalos de corrupção, a tensão de um ano de eleições — e, claro, a crise climática, que continua aí.
Mas eu quero te convidar a olhar para o presente por outro ângulo. Porque, em meio a tantos desafios, o Brasil está diante de uma chance histórica: adaptar sua economia, reduzir emissões e gerar desenvolvimento.
O Economia do Futuro volta com uma série especial em parceria com o Instituto Clima e Sociedade. Serão conversas profundas com gente que está pensando grandes ideias para o país.
Em um novo cenário geopolítico, o Brasil pode ter um papel central — como fornecedor de energia, de alimentos e de soluções para um mundo que precisa se descarbonizar.
Não se tratam de oportunidades pontuais. É a chance de deixar de ser o "país do futuro" e começar a realizar todo esse potencial adormecido.
Mas há muito a ser feito.
Então eu te convido a me acompanhar nessas conversas e se lembrar que a crise climática também é a oportunidade de construir uma economia melhor. Fica de olho no seu feed, começa no dia 9 de junho.
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Sobre Economia do Futuro
Para evitar um desastre climático, precisamos mudar a forma como produzimos e consumimos quase tudo. Mas a boa notícia é que uma nova economia já começou a ser criada. Esse podcast é para quem quer conhecer as tecnologias, as empresas, as políticas públicas e as pessoas envolvidas na construção da economia do futuro. Aqui você aprende sobre mercados de carbono, energias renováveis e o papel do Brasil nesse novo mundo - sem catastrofismo e sem greenwashing. Conduzido de forma crítica - mas otimista - pela jornalista Melina Costa, baseada em Berlim.
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